Observatorium

Mês

junho 2013

3 publicações

Faltam as palavras. Encontrem-se as palavras.

Não basta conhecer as palavras e o seu significado para se ser bom escritor, ou bom comunicador. Tampouco se conseguirá atingir a simplicidade, a sabedoria, apenas por essa via. Há que conhecer os afectos, a vida, a complexidade humana. Só assim se conseguirão expor situações, ideias e sentimentos que apenas uma correcta conjugação das palavras não conseguiria transmitir. Até porque, por vezes, as palavras não existem, são ambíguas ou não nos soam àquilo que sentimos e pensamos. Porque a sua simples conjugação e combinação não revela directamente a complexidade da experiência.

A clareza é importante na comunicação. É um cliché, bem sei.

Quando falo de clareza faço-o tendo em mente a passagem da informação, do sentido e do que se sente. É tanto mais claro para o próprio quanto a sua capacidade de perceber, interpretar e descodificar a vida, a sua vida. Quanto à dos outros, a vida, a ela apenas tem acesso através da sua.

Será através da mesma clareza e simplicidade com que nos devemos dar a conhecer aos outros, que podemos aceder a uma compreensão mais sofisticada de quem somos, também através dos com quem nos relacionamos.

Tal compreensão surgirá, através de um “viver inteligente”, onde a vida não é apenas uma sucessão de acontecimentos, percepções e sentimentos mas uma constante aprendizagem que brota de uma reflexão activa, crítica e fundamentada sobre esses mesmos episódios e experiências.

A vida é bem vivida quando a experiência é integrada nos afectos e estes, por sua vez, não são dela separáveis.

Jun 7, 20131 note
#palavras #sentimentos #afecto #escrita #linguagem #sabedoria
Luxos...

A seriedade hoje é um luxo. Um homem sério, que não atraiçoa os seus valores, que se comporta de forma ética, que se respeita a si e aos outros, que não entra em jogos e trafulhices, é um que homem ostenta de uma luxuosidade que, aos olhos de muitos outros, se torna demasiado incómoda. 

Um homem sério será um homem de sucesso. Não terá, necessariamente, muito dinheiro e até reconhecimento.


Versão em inglês no Medium
Jun 5, 2013
#luxo #seriedade #sucesso #ética #respeito
As melhores mensagens pelas piores razões

Começo por dizer que nada tenho contra a Coca-Cola enquanto bebida ou marca. Foi apenas um dos exemplos mais recentes que despertou esta ideia que não é nova.​​

Após ter visto o novo anúncio dessa marca, que ajudou a disseminação global da figura e imagem actuais do Pai Natal, sobre mudar estatísticas apercebo-me que hoje as mensagens mais nobres, os valores humanos mais fundamentais são uma moeda de troca. São “vendidos” para mais vender.

Heis a mensagem oficial que consta na página do respectivo video, alojado no YouTube:



“A Coca-Cola revê as estatísticas fazendo um apelo a uma vida saudável. Através de uma combinação de atividade física com uma dieta variada, moderada e equilibrada conseguiremos combater o sedentarismo e o excesso de peso. Com o compromisso de todos, 2030 será muito diferente do resultado das estatísticas atuais.”

Uma marca que comercializa uma bebida que pouca saúde traz a quem a bebe, a não ser em situações específicas como a ingestão em excesso de outro tipo de bebidas, apela a uma vida saudável e equilibrada.

É pena que mensagens importantes tenham, em última instância, um interesse comercial. Bem sei que, do ponto de vista do negócio e do marketing, será uma boa estratégia e uma boa campanha. Até pode haver uma real a genuína intenção em aderir a este tipo de valores e ideais. Aliás, se a memória não me atraiçoa, a mesma marca esteve associada a um “instituto de felicidade” há uns tempos atrás.

Será que este tipo de associações que as marcas fazes a ideias, ideais, valores e estilos de vida tornam o negócio mais legítimo ou mais perverso?

Jun 3, 2013
#coca-cola #estatísticas #youtube #negócio #interesses

abril 2013

4 publicações

Assumpção da obviedade e outras coisas

O Fred Kofman fala disto no livro Conscious Business, para que uma conversa seja eficaz, clara e produza resultados há que eliminar a assumpção daquilo que consideramos como óbvio.

Se não o fazemos porque acreditamos na inteligência dos outros, porque a queremos verificar, porque queremos tornar a nossa evidente, tornando-nos “misteriosos”, porque temos segundos interesses ou nos queremos proteger da hipótese dos outros os terem, não estaremos a conversar tão bem como podemos.

Ao conduzir, apesar de ser óbvio para nós que queremos virar à direita, por exemplo, ao não “fazer pisca” estamos a correr sérios riscos. Se numa conversa não tornarmos público aquilo que em privado, internamente, é óbvio, se não nos fizermos previsíveis, sem a conotação negativa da palavra, que riscos estaremos a correr? O que estaremos a perder e a ganhar?

Claro que estas dinâmicas são influenciadas pelo contexto, pela interpretação que dele fazemos, pelo(s) nosso(s) interlocutor(es) e, consequentemente, pelos juízos que construímos acerca deles e eles a nosso respeito.

A questão é que hoje existe a tendência para valorizar a intuição mais do que o conhecimento e a consciência de si próprio. Por exemplo, mais facilmente nos deixamos seduzir por uma ideia “brilhante” sem nos ocuparmos com o seu fundamento; esse trabalho para muitos tira brilho às ideias. Será a capacidade de nos mantermos enamorados pela fundamentação, pela ligação e contextualização das reflexões que fazemos que lhes dará corpulência.

Pelos vistos as ideias de Sócrates, o grego, não vingaram tanto como se julga. O conhecimento e a consciência não invalidam nem diminuem a intuição; porventura potencia-la-ão.

Apr 29, 2013
#consciência #Fred Kofman #Sócrates #assumpção #obviedade #intuição #madewithpaper
Papagaios...

Descobri recentemente, sem conseguir precisar a data, este blogue​ e desde então tenho lido atentamente todas as suas publicações.

A última - Contas de Cabeça - mais do que interesse, despertou-me a vontade de concordar publicamente com o que o autor escreveu. Estava a escrever um comentário na zona indicada mas decidi antes publicar o seguinte texto.

Não podia estar mais de acordo com o que é explorado. Apesar de, ao contrário do autor, ser muito pouco dado a números acredito a capacidade reflexiva de abstracção, de compreensão e associação são essenciais para a aquisição de uma densidade cultural tão em falta nas pessoas de hoje. O contacto com um mundo interno através da capacidade cognitiva, para os cartesianos, o lado racional, é essencial para uma boa integração dos afectos. Só a boa convivência destas duas dimensões permite contribuir para a construção do que chamo, e a expressão não é minha, de qualidade humana.

Na procura da simplificação (que é diferente de simplicidade, em si, um conceito extremamente complexo) de processos, da obtenção de resultado rápidos, de preferência tangíveis, e que servem interesses que não contemplam a complexidade humana apenas se encontram meias soluções, atribuir-lhes um valor de 50% talvez seja demais. 

É pena ver que as mudanças que estão a ser pensadas e executadas apenas servem para perpetuar e reforçar o paradigma que nos trouxe à difícil situação que vivemos enquanto espécie.

​

Apr 24, 2013
#abstracção #reflexão #afecto #cognição #mundo interno
Philographics

Normalmente apenas coloco neste espaço ideias que vão surgindo, reflexões que vou fazendo e experiências que vou vivendo.

Esta publicação foge completamente a essa “regra”. Já conhecia o trabalho de Genis Carreras há algum tempo. Especialmente a série “Philographics” I e II.

​Não resisti a partilhar…

Apr 19, 2013
#filosofia #ilustração #design #poster
Os jogos que jogamos

Tenho o privilégio de trabalhar em áreas em que o valor que posso aportar é proporcionar o acesso a novas formas de ver, de agir e de ser. Através de perspectivas diferentes, mais conscientes, mais claras, que permitem observar e agir sobre a complexidade que são as pessoas e as relações que estabelecem entre si.

Não tem necessariamente a ver com o desenvolvimento de competências, pelo menos não directamente. Tampouco está relacionado com o treino. É mais na linha do que se observa, do que se sente e da forma como se (re)age.

Apela uma capacidade de “ver” para além do que é visível, ver não só com os olhos mas também com o corpo, com o afecto, com a razão. Com o uso, muitas vezes inconsciente, da nossa capacidade de interpretar os factos, da “realidade”.

Esta visão da realidade, mais integrada, mais completa, mais complexa, mais abrangente, permite uma reflexão, uma modalidade afectiva, uma forma de agir e reagir que é mais alinhada do ponto de vista ontológico e, ao mesmo tempo, mais adequada do ponto de vista relacional, social, institucional e profissional. Estes pontos de observação permitem uma análise mais completa daquilo que se passa no contexto. Arrisco mesmo dizer que se “vê mais”.

Permite maior clarividência em relação às nossas acções e reacções. Estas são mais fundamentadas porque as questionamos. Dessas perguntas resultam respostas que podem reforçar ou refutar a conduta que temos seguido, de forma mais ou menos consciente. Dão-nos um maior clareza no que diz respeito às intenções das nossas acções e reacções. Será essa consciência que permitirá a mudança, se ele for desejada, útil ou necessária.

Fico com a sensação que o que procuro transmitir fica pouco concreto. Utilizarei um exemplo que, à partida, poderá estar distante pretendo tornar claro.

Quando um atleta, de uma qualquer modalidade desportiva em que seja necessária a intervenção de um “juiz”, procura enganar o árbitro sabe que os factos que vai produzir não infringem as regras. A procura dessa vantagem depende da possibilidade de uma falha de interpretação, se é que tal coisa existe, pode dizer-se que tem uma interpretação diferente da esperada, por parte de quem tem o papel de manter o jogo dentro dos limites convencionados. Outra variante, que demonstra esta capacidade de interpretação, nota-se quando um jogador “lê” uma situação de jogo e se aproveita da mesma para dela tirar proveito para si e para a sua equipa.

Há jogadores que se tornam tão ou mais hábeis a jogar esse jogo, deixando muitas vezes para segundo plano a prática da modalidade desportiva a que se dedicam. Muitos deles têm até grande sucesso. De alguns diz-se até que “têm muita experiência”. Apesar disso, esse é, em si, um outro jogo, não tem de ser essa a única forma de jogar. Arrisco a arrogância de declarar que é muito mais bonito ver um jogador bem sucedido, jogar o seu jogo de forma leal, ética, aceitando a derrota e a vitória porque, em última instância, não é o resultado que interessa mais mas sim a forma como se joga o jogo. Aqueles que conseguem mais vitórias não deveriam ser, necessariamente os que mais jogos ganham. Se puderem juntar os dois tanto melhor.

A questão está na capacidade de decisão para saber qual o jogo que se quer jogar. Essa capacidade de escolha resulta do nível de consciência cognitiva, afectiva e das intenções de acção/reacção que raras vezes é adquirido espontaneamente. Tal reflexão serve não só para os atletas. Serve para os economistas e gestores, para os políticos, para os pais e mães, para cada um de nós.

Especialmente no fase em que vivemos hoje no mundo, mais a pergunta que deixo em seguida me faz sentido perguntar:

  • É o resultado ou a forma como se se joga o “jogo” que é mais importante?

Sei que para muitos a resposta será fácil. Estarão plenamente conscientes do que estão a responder? Quais as implicações da sua resposta? Para si e para os outros? A que pergunta está realmente a responder?

Muito há a ainda dizer sobre este assunto. Como antevejo muitas ramificações, que nos levariam para lá do que é “razoável” colocar num post de um blogue fico-me por aqui. Contudo, não sem fazer referência a Fernando Pessoa (“Teoria e Prática do Comércio”). Afinal foi ele que fez despontar esta reflexão:

“Estão cheias as livrarias de todo o mundo de livros que ensinam a vencer. Muitos deles contêm indicações interessantes, por vezes aproveitáveis. Quase todos se reportam particularmente ao êxito material, o que é explicável, pois é esse o que supremamente interessa a grande maioria dos homens. A ciência de vencer é, contudo, facílima de expor; em aplicá-la, ou não, é que está o segredo do êxito ou a explicação da falta dele. Para vencer - material ou imaterialmente - três coisas definíveis são precisas: saber trabalhar, aproveitar oportunidades, e criar relações. O resto pertence ao elemento indefinível, mas real, a que, à falta de melhor nome, se chama sorte. Não é o trabalho, mas o saber trabalhar, que é o segredo do êxito no trabalho. Saber trabalhar quer dizer: não fazer um esforço inútil, persistir no esforço até o fim, e saber reconstruir uma orientação quando se verificou que ela era, ou se tornou, errada. Aproveitar oportunidades quer dizer não só não as perder, mas também achá-las. Criar relações tem dois sentidos - um para a vida material, outro para a vida mental. Na vida material a expressão tem o seu sentido directo. Na vida mental significa criar cultura. A história não regista um grande triunfador material isolado, nem um grande triunfador mental inculto. Da simples “vontade” vivem só os pequenos comerciantes; da simples “inspiração” vivem só os pequenos poetas. A lei é uma para todos.”

Podia ter sido escrito hoje este texto…​

Apr 4, 20131 note
#jogo #Fernando Pessoa #consciência #clarividência #afecto #ética #lealdade

março 2013

2 publicações

Play
Mar 5, 2013
Anonimato

A condição de anonimato é um contexto privilegiado para testar e conhecer a autenticidade e congruência das nossas acções.

Mar 1, 2013
#anonimato #congruência #acção

fevereiro 2013

4 publicações

Conto Filosófico


Na edição do Governo Sombra do dia 22 de Fevereiro de 2013 o Ricardo Araújo Pereiro utilizou um conto filosófico, cujo autor não referiu, que achei delicioso.

Era algo como isto:

Um mendigo está junto a uma chaminé de um restaurante, a tentar captar os odores da comida em duas fatias de pão. O dono do restaurante apercebe-se do que estava a fazer o mendigo e aborda-o:

  • Sabe que vai ter de pagar por isso. O cheiro da minha comida paga-se!

O mendigo procura no seu bolso uma pequena moeda, das “pretas”, que atira ao ar e deixa aterrar no chão, fazendo esta o som característico de uma moeda a cair, e diz:

  • Muito bem. Pago o cheiro da sua comida com o som desta moeda.

Alguém sabe quem é o autor deste conto?

Feb 26, 2013
#Ricardo Araújo Pereira #Governo Sombra #filosofia #conto
Polaridades


É inegável a tendência humana para categorizar, para arrumar toda a experiência em “gavetas com etiquetas”. Uma das expressões desta tendência e capacidade revela-se na polarização. Um tipo particular de categorizarão que está disponível como um conjunto de atalhos de fácil acesso que nos permitem conduzir a vida, a nossa acção, os nossos comportamentos num determinado sentido.

Bem vs. Mal, Certo vs. Errado, Bonito vs. Feio, Normal vs. Anormal, Normal vs. Patológico, Arte vs. Ciência… São demasiados os exemplos clássicos para os listar todos. Apenas com esta breve lista fica uma ideia do poder e complexidade que esta forma de pensar contém.

Numa época em que sobressaem valores como a Produtividade, a Eficácia, o Lucro, o Empreendedorismo, é expectável que se criem espectros com pólos como:

  • Ricos vs. pobres;
  • Sucesso vs. insucesso;
  • Poder vs. Impotência
  • Negócio e ócio…

Por exemplo, saber gerir bem uma empresa, ganhar e dar a ganhar muito dinheiro, é hoje muito mais importante do que viver bem com o parceiro(a), ser bom pai/mãe (e para isso é necessário saber o seu significado), saber dar e receber, contribuir com mais do que bens materiais, deixar um legado afectivo.

Vive-se sob a égide de fazer mais e melhor para ter mais e melhor. Ser melhor passou para segundo plano.

Apesar disso, nos dias que correm, é muito habitual ouvir queixas e lamentações, desejos e sonhos de um maior equilíbrio, de atingir a virtude que residirá, se o que diz o ditado é verdade, no meio. Exactamente a meio caminho entre os dois pólos. Estranhos tempos vivemos (que cliché…). Tempos onde aquilo que, finalmente, percebemos que queremos ser está tão longe das nossas acções. Onde as soluções encontradas não passam de saliva numa ferida aberta, de ilusões, de cenas bem orquestradas por aqueles que definham mas precisam de manter o status: nós próprios. Que ingénuos somos.

Os que não o são sofrem. Sabem que este não é o caminho mas também não estão seguros do seu porque, na esmagadora maioria das vezes, não será reconhecido, à luz do quadro de referência ainda vigente.

É difícil fazer parte de uma minoria, mesmo que seja uma elite. Aprenda-se a viver com este “fracasso”, com este insucesso. Se suficientes pessoas o fizerem desta forma talvez a Sabedoria se sobreponha aos Valores que têm um número associado.

Para Montaigne, sempre apoiado na, para ele, “pessoa mais sábia que viveu”, o filósofo grego Sócrates, a sabedoria está mais próxima do saber viver bem. Diferente de outro tipo de conhecimento que se obtém através da aprendizagem (formal ou tradicional, digo eu) que se liga ao saber fazer.

Reflicta-se sobre o papel das escolas, da família, dos pais, das empresas, dos governos.

Estamos hoje, sem dúvida, mais conhecedores. A informação e o conhecimento estão e continuarão a estar cada vez mais acessíveis.

Mas estaremos mais sábios? Ou pelo menos a caminhar nesse sentido?

Este é um espectro a que devemos estar mais atentos, que deve estar “mais à mão”: Sabedoria vs. Conhecimento.

Feb 15, 20131 note
#Montaigne #sabedoria #conhecimento #polaridade #categorias #Sócrates #informação
Feb 12, 2013
#madewithpaper #ios #settings #notification center #preferences
Compreensão


Antes de ser compreendido, antes de procurar arduamente, na esperança de encontrar alguém que me compreenda, antes fazer um esforço, por vezes hercúleo, para que os outros me compreendam, devo procurar conhecer-me.

Se compreender porque e para que preciso que outros me compreendam, se genuinamente me der ao trabalho de os conhecer, há o forte risco de deixar de sentir essa necessidade.

Tenho a sensação de que é um trabalho sem fim.

Feb 11, 2013
#compreensão

janeiro 2013

6 publicações

As consequências da inconsequência

Embora não seja ainda parte do senso comum, em alguns meios, nomeadamente na Linguística e Filosofia da Linguagem, a linguagem é mais que um conjunto de símbolos convencionados que servem para descrever a realidade. A linguagem em si é realidade, cria realidades. A linguagem é acção.

A inconsequência do discurso é uma situação comum, bem mais do que o desejável, e nos dias que correm é fonte de muitos dos graves e complexos problemas e desafios que vivemos. É basicamente a incoerência entre o dito e o feito, entre a acção declarada e a acção efectiva.

Como a linguagem é, por si só, acção, o discurso terá sempre consequências, como toda a acção. O impacto nota-se tanto ao nível do emissor como ao nível dos receptores.

Heis dois cenários possíveis, entre muitos outros:

  • Um discurso inconsequente, incongruente com as acções efectivas seguintes, influencia a imagem pública do emissor. Influencia a ideia que terceiros constroem do portador da “mensagem”, do actor linguístico.

  • Mesmo que a identidade pública não seja afectada, há o risco de o próprio entrar e percorrer uma espiral de culpa, de tensão e pressão provocada pela realidade criada pela linguagem. A declaração tem o poder vinculativo a um futuro. A não aproximação a esse futuro poderá configurar-se como um factor motivador deste tipo de sofrimento.

Jan 30, 2013
#realidade #filosofia #coerência #inconsequência #linguística #acção #linguagem #consequência #discurso
Génio e Absurdo (2)

A mesma ideia da publicação anterior com uma forma diferente…


Embora não o tenha escrito, sentir-me-ia mal se não fizesse referência ao Dominc Wilcox. Foi ao ler o seu livro “Variations on Normal” que me surgiu a ideia para esta publicação e para a anterior.

Jan 24, 2013
#absurdo #ilustração #génio #normal #juízos #estupidez #Dominic Wilcox #esquema #madewithpapper
Jan 23, 2013
Génio e Absurdo

A diferença entre o que é genial e o que é absurdo, ou estúpido, depende do número de pessoas que faz cada um desses juízos.

Há sempre, pelo menos, uma pessoa que considera genial uma ideia estúpida e o contrário é igualmente válido.

Grave é quando uma ideia genial é considerada absurda pelo seu autor.

Jan 23, 20131 note
#absurdo #génio #juízos #estupidez
A Filosofia para Epicuro...

… é assim tão diferente de muitas e “novas” práticas “modernas”?


Jan 7, 2013
Beleza, Fealdade e Ciência


O vídeo acima trouxe-me associação com dois livros que li recentemente, ambos de Umberto Eco.



História da Beleza



História do Feio


Sem dúvida serão temas a revisitar. Tenho vontade de pensar e escrever sobre eles! Querem ajudar?

Jan 3, 2013

dezembro 2012

3 publicações

Que 2013...

… seja um ano se aprenda a agir sob novas perspectivas e paradigmas. Que sejamos voluntariosos e coerentes o suficiente para não deixar que o que vem de fora se imponha. Que as mudanças significativas resultem de um trabalho interior.

Até já!


Dec 31, 2012
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