Génio e Absurdo

A diferença entre o que é genial e o que é absurdo, ou estúpido, depende do número de pessoas que faz cada um desses juízos.

Há sempre, pelo menos, uma pessoa que considera genial uma ideia estúpida e o contrário é igualmente válido.

Grave é quando uma ideia genial é considerada absurda pelo seu autor.

Manual de Instruções

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Os juízos são o manual de instruções do mundo. São uma forma de atribuir sentido às coisas. Um meio de satisfazer a nossa vontade insaciável de categorizar e etiquetar.

Quando temos já o nosso “arquivo” bem organizado e categorizado, não demoramos muito a fazê-lo, facilmente construímos “manuais de instruções” que, por sua vez, são alimentados pela cultura, educação e experiência. As próprias categorias sofrem as mesmas influências.

Isto é muito evidente nas religiões, por exemplo, que nos dão manuais bastante simples para seguir princípios bastante complexos. Não entraremos por aqui, contudo. Os curiosos poderão interessar-se por este livro.

Que faríamos se o nosso manual de instruções já não servisse para explicar como funcionam as coisas?

Provavelmente sentir-nos-íamos perdidos, sem referência, a “apalpar terreno”… Tanto pode ser uma fonte de aprendizagem como de frustração e medo imobilizadores.

Que acontece quando um produto/situação muda ou é actualizado?

O manual de instruções anterior não servirá. Há que investir tempo para criar e/ou ler as novas indicações.

O verdadeiro ponto não será nenhum dos destes. A questão é que quando temos o nosso arquivo bem arrumado e criamos categorias para atribuir sentido a tudo o que se passa, somos espectacularmente rápidos a encaixar numa dessas gavetas as situações/experiências/pessoas “novas”.

Esta, extraordinariamente útil, capacidade de categorizar que possuímos, por muito que nos acelere as respostas e reacções, poderá ter um lado prejudicial. A impossibilidade de verdadeiramente nos ligarmos às situação, às experiências e/ou às pessoas com quem interagimos.

O risco e a tentação de interagirmos com “o nosso arquivo” em vez da realidade que nos circunda são permanentes.

Julgar ou não julgar? Eis a questão!

Com a incerteza da altura exacta mas com a convicção que foi no segundo semestre de 2011, recordamos uma frase que um convidado, cujo nome a memória apagou, do programa de rádio “Pessoal… e Transmissível” por lá deixou: “os juízos são um sinal de inteligência”. Estamos totalmente de acordo! 

Os juízos, são estruturas linguísticas que nos permitem classificar e categorizar aquilo que vamos percepcionando, percebendo e vivendo. Estão, portanto, intimamente ligados à memória, à construção que fazemos da experiência vivida. Os juízos são como atalhos para a realidade. Libertam-nos de analisar exaustivamente, como se da primeira vez se tratasse, as mais diversas situações que se nos apresentam e agir, supostamente, em conformidade.

Imagine-se ter de fazer a experiência de se queimar cada vez que se põe um dedo numa chama, de constantemente vestir roupa a menos num dia frio ou a mais num dia quente, de ter de se conhecer intimamente cada pessoa que se encontra para poder tomar decisões acerca da mesma, de ter de analisar detalhadamente uma situação que necessita da nossa acção e que apresenta contornos semelhantes a outras que já vivemos… 

Como ficou implícito, os juízos não são apenas estruturas linguísticas que habitam na nossa memória e nas nossas ideias. Têm implicações, de forma directa e indirecta, nas nossas acções.

(Fonte: rhonline.pt)

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