Assumpção da obviedade e outras coisas

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O Fred Kofman fala disto no livro Conscious Business, para que uma conversa seja eficaz, clara e produza resultados há que eliminar a assumpção daquilo que consideramos como óbvio.

Se não o fazemos porque acreditamos na inteligência dos outros, porque a queremos verificar, porque queremos tornar a nossa evidente, tornando-nos “misteriosos”, porque temos segundos interesses ou nos queremos proteger da hipótese dos outros os terem, não estaremos a conversar tão bem como podemos.

Ao conduzir, apesar de ser óbvio para nós que queremos virar à direita, por exemplo, ao não “fazer pisca” estamos a correr sérios riscos. Se numa conversa não tornarmos público aquilo que em privado, internamente, é óbvio, se não nos fizermos previsíveis, sem a conotação negativa da palavra, que riscos estaremos a correr? O que estaremos a perder e a ganhar?

Claro que estas dinâmicas são influenciadas pelo contexto, pela interpretação que dele fazemos, pelo(s) nosso(s) interlocutor(es) e, consequentemente, pelos juízos que construímos acerca deles e eles a nosso respeito.

A questão é que hoje existe a tendência para valorizar a intuição mais do que o conhecimento e a consciência de si próprio. Por exemplo, mais facilmente nos deixamos seduzir por uma ideia “brilhante” sem nos ocuparmos com o seu fundamento; esse trabalho para muitos tira brilho às ideias. Será a capacidade de nos mantermos enamorados pela fundamentação, pela ligação e contextualização das reflexões que fazemos que lhes dará corpulência.

Pelos vistos as ideias de Sócrates, o grego, não vingaram tanto como se julga. O conhecimento e a consciência não invalidam nem diminuem a intuição; porventura potencia-la-ão.